sexta-feira, abril 29, 2011

Back from the dead


Lembrei-me deste sítio... e num impulso pascal/zombie, back from the dead, resolvi vir postar o post que não chegou a ser postado: o primeiro post deste ano. De agora em diante, este blog deveria ter apenas um post por ano. seria uma média muito digna.

segunda-feira, março 08, 2010

Mofo ou Bafio?

Neste Inverno de 2010 não pára de chover. As casas amolecem com o cheiro a mofo e lá fora a água acumula-se nas ruas, nos quintais e nos passeios. Lentamente os nossos corpos vão-se habituando a esta rotina das paredes molhadas, do açúcar empastelado nos açucareiros, da roupa que se cola à pele e dos amanheceres tristonhos e cinzentos. Os gatos dormem dias inteiros.
Da minha infância passada no Norte recordo semanas em que chovia sem parar e em que as brincadeiras se inventavam em casa. E este mesmo cheiro. A minha mãe ouvia o Dean Martin e falava-me de outros climas que ela conhecia mas para mim era-me então difícil imaginar um lugar no mundo onde não chovesse e pudesse fazer calor. Já não há música nem brincadeiras que nos possam distrair de tanto Inverno. Mesmo depois de conhecer os climas de que a minha mãe falava ainda me é difícil imaginar que haja um lugar no mundo onde não chova e possa fazer calor.

terça-feira, outubro 06, 2009

...of Ulm.

"I'll give you 13 shows, but that's all," said the BBC's head of light entertainment in 1969, and Monty Python's Flying Circus aired to a perplexed, but eventually grateful, British audience on Monday 5 October that same year. Over the subsequent 45 shows, the rules of television comedy were rewritten as John Cleese, Graham Chapman, Michael Palin, Terry Jones, Eric Idle and Terry GilliamThe Liberty Bell ... and don't forget the raspberry at the end.
created lunatic characters and sketches, as funny today as they were 40 years ago. A new generation now memorises the Lumberjack Song, the Spanish Inquisition and the Dead Parrot sketch (famously employed by Margaret Thatcher shortly before she politically "ceased to be") – although the Fish Slapping Dance is harder to pull off, culminating as it does in a 3m plunge into Teddington Lock. Terry Gilliam's surreal and frequently disturbing animations threaded a creative link through the mad mosaic of ideas and gave the whole its unique appearance. Films raised the bar again. A tiny budget almost scuppered The Holy Grail, allowing no money for horses, but it inspired coconut-playing squires. The Life of Brian gave us a singing crucifixion scene – sheer genius. We had never seen anything like it, but Monty Python became a national treasure, influencing almost everything that followed. The surviving five Pythons (Graham Chapman sadly passed away in 1989) will be presented with a special Bafta at a reunion in New York next week. So cue Sousa's march, The Liberty Bell ... and don't forget the raspberry at the end."

segunda-feira, setembro 28, 2009

sábado, julho 11, 2009

Virou-me todo...

Sou um rapazito que já sentiu de quase tudo. Preocupação, quando vi a minha mãe doente. Vergonha, quando fui apanhado pelas empregadas a fugir duma aula, na primária. Susto, quando ouvi passos a correr na direcção do meu quarto e de dois amigos, numa casa vazia. Prazer, quase sempre que bebo uma imperial após um dia de praia a torrar ao sol. Coragem, quando subi um andaime até ao 8º andar num prédio em obras. Idiota, pela mesma razão. Arrependimento, quando decidi tirar um curso universitário. Preguiça, todos os dias que acordo por ser obrigado a tal. Curiosidade, sempre que passo perto dum prédio velho e vejo a porta da rua entreaberta. Pânico, sempre que ia comprar livros e cadernos para a escola. Até aos 24 anos. Indecisão, quando me quiseram contratar para o Benfica Tv (BENFICA BENFICA BENFICA). Frieza, quando disse não a uma pessoa e tanto me fazia que ela morresse ou não logo ali. Tristeza, quando morreu o pai de alguém. E o meu avô. E um amigo meu. E o Murphy. Depressão, sem razões. Medo, quando me disseram que ia ficar internado no hospital porque tinha pneumonia. Impulsividade, quando decidi trazer a Mia cá para casa. Arrependimento, por não ter ido ver Radiohead a Barcelona. Nostalgia, sempre que vejo uma mãe a gritar da janela ao filho, para ele ir jantar. Alegria, numas célebres noites lacobrigenses, em que se chamou pela "velha" vezes sem conta. Deslumbrado, quando me sentei à beira do Loch Ness na Escócia. Mágoa, por não saber de alguém há três anos. Livre, em todas as noites em que estico os dois braços para o lado, na minha cama grande. Solidão, em todas as noites em que estico os dois braços para o lado, na minha cama grande. Resignação, quando isso passou a fazer sentido. Surpreendido, quando a resignação e a solidão deixaram de fazer sentido. Espanto, quando percebi que existe o olhar que me remexe a alma. Completo, sempre que ele agora o faz. Feliz...

terça-feira, junho 30, 2009

Everyday Vs. Goth routine I

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Análise ao futuro do Benfica


A questão é: Quando teremos o nosso espaço de análise futebolística na tv nacional? Análise cristalina, perspicaz, atenta a todas as dimensões desportivas e às valências dos sinais de futuro do campeonato português. Qualquer semelhante entre o Luís Costa Lobo e o Cocas o Sapo é pura coincidência. Excertos de genialidade e percepção, de dois homens que estão muito à frente no seu tempo. Para o vosso deleite.


extraterrestrial diz:
"O Benfica vai ter de habituar novamente os seus adeptos àquela frase que foi comum e de que todos nos recordamos: 'Jogar à Benfica.' O que é jogar à Benfica? É ter um Benfica pressionante, que mande no jogo. Que tenha muito mais tempo a posse de bola e que não divida o jogo com o adversário", rematou o técnico, frisando que, com ele, todos vão ter de perceber o que têm de fazer em campo
extraterrestrial diz:
mas temos este cigano pá
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
sim
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
eu tenho alguma esperança nele
extraterrestrial diz:
como todos os anos
extraterrestrial diz:
lol
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
e mesmo se fizer broa, acho q lhe deviam dar uma oportunidade mesmo a sério
extraterrestrial diz:
isso esquece
extraterrestrial diz:
é logo biqueiro no cu
extraterrestrial diz:
ericksson vai ser o próximo
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
o proximo a tb levar o biqueiro
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
e depois toni
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
e voltamos ao inicio
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
qq dia tens o mozer a treinar o benfica e a fazer caipirinhas
extraterrestrial diz:
lol
extraterrestrial diz:
e volta o mário wilson, entre o toni e o mozer
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
LOL
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
treina a equipa ligado ás máquinas
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
so comunica com os jogadores por escrito, escreve com os labios, naqueles programas
extraterrestrial diz:
sim..
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
que possibilitam aos tetraplegicos escrever com a boca
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
e somos campeões
extraterrestrial diz:
e só a dizer "temos q jogar à benfica"
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
com o mantorras a ser o melhor marcador
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
ya
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
lol
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
entretanto, o joe berardo une-se ao barbas e àquele taxista de bigode e formam uma lista credivel de oposição ao vieira
extraterrestrial diz:
eu votava nessa lista
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
Vou meter esta conversa no cacador
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
lol
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
acho q fizemos auqi uma belissima analise do futuro do benfica
extraterrestrial diz:
também me parece
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
deviamos ter o nosso programa de comentario desportivo
extraterrestrial diz:
em vez de ser um rescaldo, fazíamos a antevisão da jornada..
extraterrestrial diz:
à 5ª feira
Souto Gajova in Day-Glo Frenzy diz:
exactamenstes

sexta-feira, junho 19, 2009

Nada

Não se passa nada neste blog, nada (naquele tom de voz estúpido).

terça-feira, junho 09, 2009

3 Posters


Na sua frente tinha três cowboys. Dois deles já haviam sacado das pistolas. Do seu lado direito, um homem de neandertal segurava uma enorme moca, que ia começando a erguer lentamente. Atrás, uma banda de oito começava a experimentar os primeiros acordes. Um embalo que se iniciava com um desafino de violino, e que se ia construindo até à harmonia conjunta de todos os instrumentos. Girava na cadeira, devagar. Observava o aproximar dos três homens com roupas empoeiradas. Ouvia as esporas, primeiro desalinhadas de tudo e que, aos poucos, iam segurando o ritmo da música, compreendendo-o. Entravam já no tempo certo como se fossem mais um instrumento. Os grunhidos do homem-macaco destoavam, enquanto a cadeira girava um pouco mais. Incompreensíveis, desregulados, desalinhados. Depois respirados, subtis, sentidos...até se transformarem, com todo o conjunto, perfeitos. Fechou os olhos, sentindo o movimento vagaroso do seu assento. Um dançar que não era o dele mas pelo qual se deixava levar. Guiava-o por entre os sons. O par completo...

domingo, junho 07, 2009

O Sol voltou

Por isso proponho ir para as ruas e soltar essa bruma!


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quinta-feira, maio 14, 2009

Para alegrar um pouco as hostes

Relembro que hoje, 14 de Maio, faz 15 anos que atè o Hélder foi là à frente marcar um golito.

segunda-feira, maio 04, 2009

1925-2009


Para sempre parte do meu imaginário infantil. Obrigado Sr. Vasco Granja.

terça-feira, abril 28, 2009

Gripe Suína


Acho que descobri a origem da variante humana da gripe suína. Tudo começou ao nível microscópico dentro do organismo equivalente à variante suína da espécie humana (ver foto). E para terminar, um apropriado trecho de um guião duma pig-sitcom:

KRAMER
Don't even question my instincts, because my instincts are honed.
(RE:PAPER) Look at that.

Jerry
What now?

HE SHOWS JERRY THE PAPER

JERRY (CONT'D)
"Hospital receives grant to conduct DNA research".." Government
funds genetic research at area hospital" ... Yeah, so?

KRAMER
Pigman, baby. Pigman.

Elaine
Oh, if I hear about this pigman one more time...

KRAMER
I'm tellin ya the pigman is alive. The governments been
experimenting with pigmen since the fifties.

Jerry
Will you stop it. Just because a hospital gets a grant to study
DNA doesn't mean they are creating a race of mutant pigmen.

KRAMER
Oh. Jerry wake up to reality. It's military thing. They're
probably creating a whole army of pig warriors.

George
I wish there were pigmen. You get a few of these pigmen walking
around I'm looking a whole lot better. Then if somebody wants to
fix me up at least they could say, "Hey he's no pig-man!"

quarta-feira, abril 08, 2009

O povo do lodo


Há muito tempo que a expressão “povo de brandos costumes” me faz comichões. Brando costumes, somos brandos, porreirinhos pacatos, não gostamos de confusões. Por outras palavras, não lutamos. Arrastamos os rostos fechados, passivos, pela vida. Amedrontados e encolhidos perante tudo o que achamos maior que nós. Agigantamo-nos com títulos idiotas como Sr. Drº, ou Sr. Engº, como se ainda tivéssemos a taxa de analfabetismo do início do século passado. Mas gostamos de estar refastelados nesses pedestais fictícios. Por isso, acho que se não fossem as Forças Armadas não teria acontecido o 25 de Abril.
Este ano o país assistiu na televisão às maiores manifestações contra um governo eleito. Mais de 100 mil professores encheram Lisboa. As greves continuaram a pressionar os governantes. Mas será pressão verdadeira? As intenções de voto no partido do governo sobem ao mesmo tempo que o povo desfila na Avenida da Liberdade (mais uma bela ironia). Das duas uma: Ou as pessoas que se manifestam são esquizofrénicas, ou foram lá para passear, dando uso a outra expressão auto flageladora: “só vim aqui ver a bola”. Manifestamo-nos, mas no fundo admiramos os tipos que estão no poder, porque eles “é que a sabem toda”, eles é que são espertos. Esse tipo de raciocínio eterniza no poder autarcas arguidos por corrupção. Corrupção essa, que também é um circo, que nunca acaba. Ninguém é condenado e a acção prolonga-se, eterna, num jogo do empurra onde ninguém cai.

terça-feira, abril 07, 2009

bondade gratuita

pois é. passei os primeiros anos do liceu a pensar que gostava de partir uma perna ou um braço para que a turma me pudesse assinar o gesso. e até andar de muletas, com alguma sorte. e há pessoas invejosas que se aproveitam das lesões dos outros para fazer posts. quem partiu o pé fui eu. tenho uma pretensiosa fractura na cabeça do quinto metacarpo. não me pareceu assim tão bem quando, em circunstâncias que não me apetece esclarecer, torci o pé de cima de uns saltos altos e ouvi um craaaaaaaaac e senti uma p*** de uma dor lancinante que me fez chorar como uma criança. também não me pareceu tão bem quando, vinte dias depois quando percebi que não melhorava, ouvi da boca do médico a palavra "arrancamento" - aí o craaaaaaaaac fez sentido - nem quando deixei de poder conduzir. as minhas novas companheiras gémeas e elegantes importadas directamente do Canadá passaram a acompanhar-me para todo o lado e, coisa que nunca tinha pensado, nem dá para trazer um copo de água da cozinha, porque além de coxos ficamos sem mãos disponíveis. a coisa engraçada é que as pessoas tornam-se (excepção estranha nas passadeiras: é sempre o trânsito) estupidamente simpáticas. e de repente todos nos perguntam o que aconteceu, como estamos, se estamos melhor, passam a cumprimentar-nos diariamente, a abrir-nos as portas, a deixar-nos passar à frente, a abrir caminho, a apanhar as canadianas do chão e a oferecer-se para nos levar aos sacos. quase sempre homens. a verdadeira simpatia revela-se na nossa fragilidade. precisamos de uma razão para ser simpáticos e solidários. nada de o ser gratuitamente. está explicada em parte a nossa propensão para a desgraça.

segunda-feira, abril 06, 2009

sábado, março 28, 2009

Pele e osso


Todas as manhãs tomo um duche para lavar a dormência colada à pele e aos olhos. Tenho sempre o mesmo sobressalto quando meto o primeiro pé, o esquerdo, dentro da banheira – Uma escorregadela e uma fractura exposta. Os factores para que o acidente aconteça reúnem-se todas as manhãs, diria mesmo que esperam que eu acorde para se fundirem numa curta-metragem de subconsciente e terror diário. Estão todos lá. O sono que faz o passo inseguro, a forma côncava do interior da banheira, a água que não é das coisas mais aderentes do mundo e a forma como o espaço está organizado para o desastre. Perna esquerda sobe acima da borda da banheira e aterra tosca no pé esquerdo vacilante. Este escorrega e o peso do corpo ensonado cai sob o ponto de desequilíbrio do pé. Aí entra em acção a forma côncava e a falta de largura da banheira. Não há espaço para reequilibrar. O peso do corpo faz ceder o osso da perna e este parte-se, enviando uma ponta partida e aguçada contra a pele, rasgando-a. Esta é a sensação que tenho sempre que tomo um banho. Ora, nunca parti a perna na minha vida, nem nunca tive nenhum percalço na banheira, mas revejo a sequência de acontecimentos todos os dias, como algo que acontecerá inevitavelmente. E pronto. Já há muito que não escrevia um post, acho que perdi o jeito. Este post é a coisa escrita mais aproximada a um replicant com muito pouco tempo de vida a espearnar numa banheira com água, sangue e osso moído.

segunda-feira, março 23, 2009

Cortina


Um destes dias assisti a uma demonstração apalermada de cavalheirismo. À saída do metro, um homem coloca o seu passe no leitor L-Gray Kominski 701 e, reparando depois que uma mulher está atrás dele, deixa-a passar à sua frente. Esta, não se fazendo rogada e burra que nem uma porta, avança. O atrasado mental do cavalheiro ainda olha para o rabo da estúpida senhora, antes de se entalar com o fecho das FiligramiXTOG, modelo avançado e que aleijam como o raio. Certamente que o gajo que inventou o conceito de cavalheirismo para desculpar a sua fixação por rabos, rejubilou no seu túmulo. Ele, sempre disponível para deixar uma mulher passar à sua frente, abrir a cancela da carroça para vê-la subir primeiro, ir atrás enquanto aquelas nádegas abanam mesmo à frente dos seus olhos ao subir de umas escadas. "Tão cavalheiro que ele é." E este esquema perdura, e um homem "cavalheiro" faz sempre brilharete.
O meu pai tem a mania que tem um tesouro em casa. Ele ainda não se apercebeu que a tem. A mania. Mas tem. "Isto um dia pode valer muito dinheiro." E toca de enfiar o estranho possível investimento numa gaveta e esperar calmamente. Fez isso há pouco tempo. Com um livro que lhe ofereceram, duma autora desconhecida. A autora autografou-o com uma dedicatória. E alguém lá em casa disse "mas quem é esta gaja? se ainda fosse alguma escritora conhecida" ao que ele contrapôs "não é conhecida agora, mas um dia pode chegar a ministra e essa dedicatória valer muito dinheiro!" "Chegar a ministra", pensei eu. Que coisa tão sem sentido. E brilhante. Ele ainda não se apercebeu que o tem. O brilhantismo. Mas tem.
No dia em que os meus descendentes estiverem riquíssimos, à pála das coisas que o meu pai andou a guardar, será o dia em que um automobilista parou numa passadeira para deixar passar os peões e teve que esperar três anos até voltar a arrancar com o carro. Será em 2120. O carro será um Ford Cortina de 1978 com peças originais. E gente a mais. Os descendentes de Gray Kominski dominarão o mundo, com o total controlo e monitorização da população. E eu estarei esquecido...

sábado, março 14, 2009

Alleluia

Ontem voltei a ouvir esta música em casa do Lacrau. Já não estava na posse de todas as minhas capacidades mentais mas consegui perceber, once again, o tão boa que é. Hora de a partilhar com as duas pessoas que visitam este blog.



Alleluia
Cue the strings of Beethoven
Walk in the light to the wicked oscillations
And the waving of hands that binds us in the netherworld
And holds us where we stand

Alleluia
The light was bright, the whole thing's fantastic
Walk in the light into the brilliant oscillations
Into the waving hands that binds us in a netherworld
And holds us where we stand

quarta-feira, março 11, 2009


"The thing I don’t understand about the suicide person is the people who try and commit suicide and for some reason they don’t die and that’s it. They stop trying. Why? Why don’t they just keep trying? What has changed? Is their life any better now? No. In fact it’s worse because now they’ve found out one more thing they stink at. Okay, that’s why these people don’t succeed in life to begin with. Because they give up too easy. I say, pills don’t work, try a rope. Car won’t start in the garage, get a tune up. You know what I mean? There’s nothing more rewarding than reaching a goal you have set for yourself."

Lamento. Rick Deckard encontra-se desprovido de inspiração...

quarta-feira, março 04, 2009

A Grande Depressão


Caminho vagarosamente pelas ruas ladeadas de lojas de penhores circunscritas ao lucro fácil em prol da desgraça alheia, oiço os noticiários vespertinos nas poucas montras de electrodomésticos ainda instaladas. Medem o pulso às taxas de desemprego de tendência galopante para interesse de dois ou três ouvintes de parcas vestimentas. Oiço crianças num primeiro andar gritarem por comida e pais destroçados com vergonha de chorar cozinharem à pressa a sua última porção. Sou aliciado por prostitutos em saldo aliviando as suas chagas com anti-retrovirais e bagaço. Velhotas relembrando-me os tempos idos com lágrimas caindo entre os poucos dentes que testemunharam fartura no passado.

Desloco-me ao Multibanco mais próximo na esperança de consultar o meu saldo de conta. Está bem preenchido, a crise não me atinge, posso agir como se ela não existisse, ,como se os queixumes fizessem sempre parte dos mesmos, pessoas fracas que não querem trabalhar, fábulas arquitectadas pela imprensa para vender jornais, esqueço-mo das oportunidades que tive, da sorte de ter estado no lugar certo no momento exacto, faço piadas de circunstância de peito inchado e barriga cheia, sou um triste.